O Rockwool Germany Sail Grand Prix, disputado em 22 e 23 de agosto em Sassnitz, na ilha de Rügen, entregou duas histórias em dois dias muito diferentes entre si. No sábado, vento forte e um recorde de velocidade que ninguém esperava ver tão cedo. No domingo, chuva, vento instável e uma final resolvida praticamente na deriva.
No fim, a BONDS Flying Roos venceu, e o campeonato ficou mais desequilibrado.
O recorde francês
A marca do fim de semana não pertence a quem levantou o troféu.
Na última regata do sábado, a DS Automobiles Team France, de Quentin Delapierre, cravou 107,63 km/h, aproximadamente 58 nós, e estabeleceu o novo recorde de velocidade do SailGP. A marca anterior, de 103,93 km/h, pertencia à dinamarquesa Rockwool Racing e havia sido feita na mesma raia do Báltico no ano passado.
Não é coincidência que os dois recordes tenham saído de Sassnitz. A combinação de água relativamente protegida pela ilha e vento forte e constante cria justamente o cenário em que o F50 consegue sustentar velocidade máxima por tempo suficiente para registrá-la.
O domingo foi outro campeonato
O segundo dia inverteu tudo. Chuva forte e rajadas irregulares na casa dos 40 km/h transformaram a raia em um exercício de leitura de vento, e não de velocidade.
Quem melhor interpretou as condições foi a equipe da casa. A Alemanha, apresentada pelo Deutsche Bank, venceu a quarta regata com folga incomum na liga, cruzando cerca de 600 metros à frente da canadense NorthStar, e emendou uma segunda vitória no dia.
"Tivemos, digamos, uma largada não muito favorável, mas vimos o vento chegando e tivemos sorte de que todos do outro lado estavam caindo completamente dos foils. Então tivemos uma regata relativamente fácil, apenas nos mantendo sobre os foils, o que foi um momento agradável para nós e para o público da casa", disse o timoneiro alemão Erik Kosegarten-Heil.
Nas classificatórias, o Grupo B chegou à última perna com as quatro primeiras equipes separadas por um único ponto. Um cruzamento triplo entre Austrália, Canadá e Suécia reorganizou a disputa: a NorthStar assumiu a ponta, a Austrália caiu para segundo e a Artemis Racing terminou em quinto, perdendo a vaga na final.
"Foi um dia um pouco frustrante para nós. Conseguimos algumas boas posições na frente, mas acabamos perdendo a vitória na última regata. Tentamos uma ultrapassagem na perna de contravento, ambos fomos para a direita e perdemos algumas posições", afirmou o timoneiro sueco Nathan Outteridge.
Mesmo fora da final, a Artemis subiu no pódio da classificação geral da temporada.
Uma final sem vento e sem foils
A decisão reuniu quatro campeões olímpicos no leme, e acabou definida no oposto do que o SailGP costuma vender. O vento caiu, os barcos desceram dos foils e a chegada virou um arrastão em ritmo de caminhada.
A Austrália aproveitou a largada, contornou a primeira marca à frente de NorthStar e Nova Zelândia, e construiu vantagem na quinta perna, quando a maioria já lutava para se manter voando. Los Gallos, que contornou a primeira marca em último, chegou a recuperar até o segundo lugar, mas não alcançou os australianos.
Atrás, Black Foils, NorthStar e Los Gallos cruzaram praticamente juntos, todos sem foils. A Nova Zelândia levou penalidade por não manter distância dos espanhóis e caiu para quarto. A NorthStar ficou com o segundo lugar e a Espanha, com o terceiro.
"Com certeza tivemos que batalhar bastante. Tivemos uma enorme sensação de déjà vu quando o vento começou a diminuir, porque na primeira regata fomos do primeiro ao último lugar. Mas aprendemos muito naquela regata sobre como fazer o barco atingir o máximo desempenho e encontrar o vento rapidamente", disse Tom Slingsby.
Do outro lado, a frustração neozelandesa. "Quando sua pior regata do evento é a última, definitivamente dói", resumiu Peter Burling, que fazia a primeira final da equipe na temporada.
Pódio e situação do campeonato
| Posição em Sassnitz | Equipe |
|---|---|
| 1º | BONDS Flying Roos, Austrália |
| 2º | NorthStar SailGP Team, Canadá |
| 3º | Los Gallos, Espanha |
| 4º | Black Foils, Nova Zelândia |
Foi a quinta vitória australiana em 2026, e a diferença na liderança do Rolex SailGP Championship subiu para 14 pontos.
O fim de semana foi ruim para os atuais campeões. A Emirates GBR, de Dylan Fletcher, terminou a etapa em nono e aparece na temporada empatada em pontos com os Estados Unidos, a 30 pontos da Austrália. O Mubadala Brazil SailGP Team, de Martine Grael, fechou a etapa em 13º.
Com nove das treze etapas cumpridas, restam quatro eventos para alguém tentar alcançar os australianos.
"O momento é algo poderoso. Você tem altos e baixos ao longo do ano, e quando entra numa fase ruim, se pergunta onde isso vai parar. Estamos muito animados para participar de três eventos seguidos com bastante embalo", afirmou Slingsby.
O evento alemão reuniu quase 15 mil espectadores nos dois dias.
Próxima etapa
| Spain Sail Grand Prix, Valência | |
|---|---|
| Local | Porto de Valência, Espanha |
| Datas | 5 e 6 de setembro de 2026 |
| Etapa | décima do circuito da temporada 2026 |
| Estreia | primeira vez do SailGP na cidade |
Por: Redação Mundo Mar
Foto: Foto: divulgação SailGP







