Um incêndio de grandes proporções destruiu na noite de segunda-feira, 24 de agosto, o galpão de produção da Maxi Dolphin, em Erbusco, na região da Franciacorta, província de Brescia, no norte da Itália. O estaleiro é um dos nomes reconhecidos da construção em carbono na Europa.
O alarme foi dado por volta das 22h. Motoristas que passavam pela autoestrada Milão-Veneza, próxima ao local, avistaram a coluna de fumaça preta e acionaram o socorro. As chamas passaram de dez metros de altura e eram visíveis a quilômetros de distância.
A operação
O Corpo Nacional de Bombeiros italiano mobilizou equipes do comando de Brescia, reforçadas por Bergamo e Mantova, num total de 50 homens e 13 viaturas.
Segundo o relato oficial dos bombeiros, o trabalho durou a noite inteira, com duas prioridades: conter o incêndio e impedir que ele se propagasse para uma unidade industrial vizinha. O telhado do galpão desabou durante a operação. Controladas as chamas, começou a fase de rescaldo e de estabilização da estrutura.
A ARPA Lombardia, agência ambiental regional, acompanhou a ocorrência monitorando a qualidade do ar. A preocupação tem razão técnica específica: a queima de resina e fibra em compósito libera compostos que exigem medição, e é isso que diferencia um incêndio em estaleiro de fibra de um incêndio industrial comum.
Não houve feridos. As causas estão sob investigação de peritos dos bombeiros e das forças de segurança.
O que se perdeu
Além da estrutura, três embarcações em construção foram destruídas: um MD80, um MD75 e um MD51 Power.
O MD80 é o caso mais sensível do ponto de vista de contrato. O veleiro estava com saída prevista para o fim de setembro, rumo à Marina di Ravenna. É um projeto de alto desempenho, com quilha retrátil que varia o calado entre 5 e 3,1 metros e duplo leme, desenhado para conciliar cruzeiro e regata.

O que a Maxi Dolphin representa
A empresa foi fundada em 1987 por Vittorio Moretti e construiu ao longo de quase quatro décadas uma reputação específica: veleiros e barcos a motor sob medida, em compósito de carbono, até cerca de 36 metros. Desde 2016 a marca pertence à MD Technologies, e a operação é comandada por Luca Botter, ligado à casa desde a fundação, com direção técnica de Giovanni Pizzati.
O que dá dimensão à perda é a lista de escritórios que assinam projetos construídos ali. Passaram pela Maxi Dolphin desenhos de Germán Frers, Bruce Farr, Mark Mills, Luca Brenta, Bill Tripp, Finot-Conq e Roberto Starkel. O MD75 Karma, de Mark Mills, foi eleito melhor veleiro de 2020.
E aqui está o ponto que a cobertura factual costuma deixar de fora. O galpão de Erbusco tinha cerca de 2.700 metros quadrados cobertos e, dentro deles, um forno de compósito de 40 metros.
Equipamento desse porte não se compra pronto. É a peça que permite curar peças estruturais inteiras de um casco de carbono em uma só operação, e é justamente o que separa um estaleiro capaz de construir custom em carbono de um que terceiriza laminação. Some a isso os moldes, os gabaritos e o ferramental acumulados em décadas, e se entende por que um incêndio em estaleiro de compósito é mais grave do que o valor dos barcos queimados sugere.
O recomeço
A direção da empresa reagiu no mesmo dia. Em declaração à imprensa italiana, Luca Botter afirmou que o incêndio interrompeu a produção e trouxe uma dor imensa, mas que a companhia recomeça imediatamente em outro endereço, mantendo as linhas de veleiros e de barcos a motor.
É uma sinalização que importa para o setor. Encomendas de barco custom em carbono envolvem prazos longos, adiantamentos e agenda de regata, e a definição rápida sobre a continuidade da produção é o que segura contrato.
A ocorrência em números
| Incêndio na Maxi Dolphin | |
|---|---|
| Data | noite de segunda-feira, 24 de agosto de 2026 |
| Local | Erbusco, Franciacorta, província de Brescia, Itália |
| Alarme | por volta das 22h |
| Efetivo | 50 bombeiros e 13 viaturas, de Brescia, Bergamo e Mantova |
| Barcos destruídos | MD80, MD75 e MD51 Power |
| Estrutura | galpão de cerca de 2.700 m², com desabamento do telhado |
| Feridos | nenhum |
| Monitoramento ambiental | ARPA Lombardia |
| Causa | sob investigação |
Por: Redação Mundo Mar
Foto: Foto: Vigili del Fuoco







