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Schaefer Yachts retorna à Riviera Francesa com V34, 380 e V44

Estaleiro brasileiro participa do Cannes Yachting Festival 2026 com três modelos que colocam em evidência uma característica cada vez mais valorizada no Mediterrâneo: barcos que ampliam a vida ao ar livre e aproximam quem está a bordo do mar.

Schaefer Yachts retorna à Riviera Francesa com V34, 380 e V44
Foto: Divulgação: Schaefer Yachts

A indústria náutica brasileira voltou a ocupar espaço em uma das vitrines mais disputadas do mercado mundial. A Schaefer Yachts, de Santa Catarina, está no Cannes Yachting Festival 2026, realizado de 8 a 13 de setembro na Riviera Francesa, com três embarcações oficialmente cadastradas pela organização do evento: Schaefer V34, Schaefer 380 e Schaefer V44.

Mais do que três barcos expostos, o conjunto escolhido pela fabricante brasileira ajuda a contar uma história interessante sobre a evolução do mercado náutico. São modelos de tamanhos e propostas diferentes, mas que compartilham uma linguagem bastante clara: áreas externas valorizadas, circulação facilitada, espaços de convivência e maior integração com a água.

É uma arquitetura que encontrou espaço no Brasil, mas também conversa diretamente com uma forma muito mediterrânea de utilizar uma embarcação: navegar durante o dia, ancorar em pequenas baías, receber pessoas a bordo e transformar a popa e o cockpit em verdadeiras extensões do mar.

Um trio diferente do apresentado em 2025

Há ainda uma mudança importante em relação ao ano passado.

Na participação da Schaefer em Cannes em 2025, os três modelos anunciados oficialmente pelo estaleiro foram a V44, V33 e 375. Agora, em 2026, a V44 permanece na exposição, enquanto V34 e 380 passam a integrar a vitrine brasileira no salão francês.

A mudança permite ao público europeu conhecer uma parte renovada do portfólio da fabricante e mostra que a presença em Cannes começa a ir além de uma participação pontual.

Vista aérea do Vieux Port de Cannes durante o Cannes Yachting Festival, com centenas de embarcações expostas sobre a água. Divulgação: Cannes Yachting Festival
Vista aérea do Vieux Port de Cannes durante o Cannes Yachting Festival, com centenas de embarcações expostas sobre a água. Divulgação: Cannes Yachting Festival

Schaefer V34: lifestyle e performance em 10,33 metros

A Schaefer V34 é a menor das três embarcações apresentadas em Cannes, mas ocupa uma posição interessante dentro da estratégia internacional da marca.

Com 10,33 metros de comprimento e 3,35 metros de boca, o modelo tem capacidade para dez pessoas durante o dia e acomodação para duas em pernoite. Seu tanque de combustível comporta 700 litros. A própria Schaefer define a V34 como uma evolução do conceito da linha V, combinando lifestyle e performance.

É justamente essa combinação que torna o modelo interessante para mercados costeiros europeus: dimensões que facilitam o uso como day boat, sem abandonar a possibilidade de permanência a bordo.

A Schaefer V34 vista pela popa, com os dois motores de popa de 300 hp, a mesa de convivência e o hardtop. Divulgação: Schaefer Yachts
A Schaefer V34 vista pela popa, com os dois motores de popa de 300 hp, a mesa de convivência e o hardtop. Divulgação: Schaefer Yachts

Schaefer 380: quando o barco se abre para o mar

Na Schaefer 380, a integração ganha outra escala.

O modelo tem 11,80 metros de comprimento e 3,69 metros de boca e chama atenção principalmente pelas duas varandas laterais retráteis, que aumentam a área útil da praça de popa e integram o cockpit ao ambiente externo.

No interior, a embarcação oferece pé-direito de 1,90 metro e uma passagem interna para acesso à proa. A capacidade chega a 14 pessoas durante o dia, com acomodação para quatro em pernoite.

São soluções que ajudam a explicar uma transformação que vem ocorrendo no design náutico mundial: em diversas categorias, a metragem do barco deixou de ser o único indicador de espaço. Plataformas, varandas móveis e layouts integrados permitem que uma embarcação amplie consideravelmente sua área de convivência quando está parada.

E Cannes é exatamente o lugar onde essas soluções são comparadas lado a lado com projetos dos maiores fabricantes internacionais.

A Schaefer 380 fundeada em águas claras, com a plataforma de popa e o cockpit integrados. Divulgação: Schaefer Yachts
A Schaefer 380 fundeada em águas claras, com a plataforma de popa e o cockpit integrados. Divulgação: Schaefer Yachts

V44: o beach club brasileiro continua em Cannes

A maior das três representantes da Schaefer em 2026 é a V44, com 13,61 metros de comprimento e 4,17 metros de boca.

Seu projeto concentra boa parte da proposta da linha V: cockpit e beach club organizados em um único nível, duas grandes varandas laterais de 2,40 metros e plataforma de popa submersível. O modelo tem capacidade para 14 pessoas durante o dia e quatro em pernoite.

A V44 é também o elo entre as duas participações recentes da Schaefer no Cannes Yachting Festival. Ela já havia integrado o trio apresentado pela fabricante em 2025 e está novamente na relação oficial de embarcações da marca em 2026.

Sua permanência não passa despercebida: enquanto os demais modelos mudaram, a V44 segue ocupando espaço na apresentação da marca ao mercado europeu.

O beach club da Schaefer V44, com as varandas laterais abertas e o deck de teca ao nível da água, diante de Saint-Tropez. Divulgação: Schaefer Yachts
O beach club da Schaefer V44, com as varandas laterais abertas e o deck de teca ao nível da água, diante de Saint-Tropez. Divulgação: Schaefer Yachts

Cannes não é apenas uma exposição de barcos

O contexto torna essa presença ainda mais relevante.

O Cannes Yachting Festival acontece simultaneamente no Vieux Port e no Port Canto e reúne mais de 700 embarcações. O evento é reconhecido pela própria organização como o maior salão náutico sobre a água da Europa e concentra fabricantes, compradores, distribuidores, investidores, profissionais e imprensa especializada de diversos mercados.

O Vieux Port funciona como um dos principais territórios dos barcos a motor. Dentro dele, o Quai Saint-Pierre, onde a Schaefer aparece listada, é definido pela própria organização como uma área dedicada a day boats de luxo, modelos open e motor yachts, com forte ênfase em design e inovação.

É, portanto, uma vitrine comercial, mas também um grande ambiente de comparação.

Em poucos metros de cais, compradores conseguem analisar diferentes soluções de casco, motorização, layout, acabamento, tecnologia, aproveitamento de espaço e experiência a bordo.

Para um fabricante brasileiro, estar ali significa colocar produto, engenharia e marca diante dos mesmos consumidores que estão avaliando alguns dos principais estaleiros europeus e mundiais.

Há uma indústria brasileira por trás dos barcos

Existe ainda outro aspecto que merece atenção.

A internacionalização da Schaefer não está sustentada apenas no design final das embarcações. O estaleiro destaca um processo industrial verticalizado, com aplicação de infusão a vácuo, utilização de CNC de cinco eixos, além de marcenaria e estofaria próprias. O cadastro oficial da empresa no Cannes Yachting Festival informa mais de 4 mil embarcações entregues em uma faixa que vai de 30 a 86 pés.

Isso coloca a participação em Cannes também dentro de uma discussão maior sobre a Economia do Mar brasileira.

Cada barco levado à Europa carrega uma cadeia produtiva que começa muito antes de chegar ao porto: projeto, engenharia, compósitos, sistemas elétricos, eletrônica, motorização, mobiliário, estofamento, ferragens, logística, serviços e mão de obra especializada.

É justamente essa dimensão industrial que transforma uma embarcação exportada em algo muito maior do que um produto de luxo.

Do Brasil para mercados cada vez mais disputados

A Europa já fazia parte da estratégia declarada de internacionalização da Schaefer. Durante a participação em Cannes em 2025, o gerente de exportação da empresa, Igor Phelippe, afirmou em comunicação oficial que "as exportações são fundamentais para o crescimento sustentável da marca".

Um ano depois, a Schaefer está novamente na Riviera Francesa.

Mas com uma diferença importante: o portfólio apresentado mudou.

A V44 permanece. V34 e 380 chegam à vitrine.

E talvez seja justamente esse o aspecto mais interessante da presença brasileira em Cannes em 2026: não se trata apenas de mostrar que o Brasil sabe construir barcos. Trata-se de disputar espaço, mercado e atenção em um dos lugares onde o futuro do setor náutico mundial é colocado lado a lado, barco por barco.

Por: Redação Mundo Mar

Foto: Divulgação: Schaefer Yachts

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