Quem passa pela Avenida Beira-Mar Norte já não precisa mais recorrer às imagens do projeto para perceber que uma das maiores transformações urbanas da orla de Florianópolis começou de fato.
O avanço das pedras sobre a Baía Norte está cada vez mais evidente. Registros feitos pelo Mundo Mar no domingo, 30 de agosto, mostram o estágio atual da estrutura que começa a redesenhar a linha da costa no trecho entre a Praça de Portugal e a Praça do Sesquicentenário.
É a primeira grande fase estrutural do Parque Urbano e Marina Beira-Mar Norte.
E, embora seja comum chamar a estrutura que aparece sobre a água de molhe, tecnicamente o trabalho realizado neste momento é o enrocamento, formado pelo lançamento e acomodação de rochas que criam a base e a contenção necessárias para o futuro aterro.
Mais de 27 mil toneladas em apenas um mês
O dado oficial mais recente divulgado pela Prefeitura de Florianópolis mostra a dimensão da operação.
Em 16 de agosto, exatamente um mês depois do início do lançamento efetivo das rochas no espelho d'água, a estrutura já havia avançado 405 metros.
Até aquela data, mais de 16,3 mil metros cúbicos de material, equivalentes a mais de 27 mil toneladas, já haviam sido empregados na obra.
A Prefeitura informou ainda que essa frente inicial havia ultrapassado 20% de avanço físico. O enrocamento terá aproximadamente 4,5 metros de altura, tomando como referência a cota do trapiche existente na Beira-Mar Norte.
Desde aquele balanço, os trabalhos prosseguiram. Até o fechamento desta matéria, entretanto, o município ainda não havia divulgado uma nova medição linear oficial. Por isso, o Mundo Mar opta por não projetar uma nova metragem a partir das imagens.
As fotografias realizadas no último domingo passam a funcionar justamente como um registro independente do estágio visual da obra no final de agosto.

O ritmo da obra chama atenção
O avanço merece atenção porque esta é uma etapa estruturalmente importante para tudo o que será construído depois.
Quando a implantação começou, em março, a primeira fase, envolvendo preparação e conformação do enrocamento, era apresentada com horizonte estimado de aproximadamente seis meses. Já durante a execução efetiva, iniciada em julho com o lançamento contínuo das rochas, os primeiros números indicaram um ritmo significativo: 405 metros em apenas 30 dias.
O próprio Mundo Mar já havia mostrado, em agosto, que o ritmo observado no canteiro poderia antecipar essa frente em relação ao cronograma inicialmente reservado para o serviço.
Mas existe uma diferença importante entre a obra estar avançando rapidamente e uma mudança oficial na data de entrega.
Até o momento, a Prefeitura não anunciou uma revisão formal dos prazos globais do empreendimento. Portanto, o avanço do enrocamento é um sinal positivo para o cronograma, mas ainda não permite antecipar oficialmente a inauguração.
Depois das pedras, vem a areia
E o que acontece quando o enrocamento estiver concluído?
Começa uma transformação ainda maior.
A etapa seguinte prevista é a dragagem de areia do fundo da Baía Norte, material que será aproveitado na composição do aterro delimitado pela estrutura atualmente em construção.
Na prática, aquilo que hoje ainda é espelho d'água começará a se transformar em área física sobre a qual será implantada uma parcela significativa do futuro parque urbano.
É justamente por isso que o avanço atual das pedras é tão importante. O enrocamento não é simplesmente o contorno que começa a aparecer sobre a baía. Ele prepara a estrutura que permitirá entrar na fase de formação do novo terreno.
Depois disso, o empreendimento passa progressivamente para as demais estruturas previstas no projeto, incluindo áreas de lazer, esporte, circulação, paisagismo, serviços, estacionamento e a infraestrutura náutica da marina.

Um parque de aproximadamente 140 mil metros quadrados
O projeto completo ocupa uma área de aproximadamente 440 mil metros quadrados, dividida entre cerca de 140 mil m² de parque urbano público e aproximadamente 300 mil m² destinados à área da marina.
A proposta prevê ampliar a relação de Florianópolis com o mar, reunir novos espaços públicos de lazer e esporte e integrar infraestrutura náutica, transporte marítimo e os demais modais da Avenida Beira-Mar Norte. A própria Rede de Planejamento da Prefeitura destaca entre os objetivos do empreendimento o desenvolvimento náutico, o turismo, a geração de oportunidades econômicas e a integração futura com transporte marítimo e BRT.
A marina deverá ampliar significativamente a capacidade de atracação dentro da região central da cidade e criar uma nova concentração de demanda por manutenção, serviços técnicos, abastecimento, turismo, gastronomia e atividades ligadas à Economia do Mar.
O investimento anunciado é de aproximadamente R$ 350 milhões, integralmente privado, com execução pela JL Construções e concessão de uso por 35 anos.

Quando o público poderá usar o novo parque?
Esse é provavelmente o ponto que mais desperta curiosidade agora que a estrutura já pode ser vista avançando sobre a água.
O cronograma mais recente divulgado pela administração municipal estabelece até cinco anos para a conclusão integral do empreendimento, mas trabalha com a expectativa de disponibilizar o parque urbano ao público em aproximadamente dois anos e meio.
Isso significa que a população não necessariamente terá de esperar a conclusão de toda a marina para começar a utilizar parte da nova estrutura.
É importante, porém, tratar esse prazo como previsão, e não como uma nova data definitiva de inauguração. Obras costeiras dessa dimensão dependem da evolução das diferentes etapas construtivas, das condições operacionais e do cumprimento das exigências técnicas e ambientais.
A transformação agora ficou visível
Durante anos, o Parque Urbano e Marina Beira-Mar Norte existiu para boa parte da população em plantas, audiências, licenças e imagens computadorizadas.
Agora existe pedra sobre pedra.
E, à medida que o enrocamento avança, começa a ser possível compreender fisicamente a dimensão da área que será incorporada à orla.
As próximas semanas e meses serão especialmente importantes. A conclusão dessa estrutura abrirá caminho para a dragagem, o aterro e, posteriormente, para uma transformação que deixará de acontecer apenas sobre a água e passará a ganhar forma sobre um novo território urbano.
O Mundo Mar seguirá acompanhando a evolução da obra, comparando os registros feitos ao longo dos meses e mostrando não apenas quanto a estrutura avança, mas o que cada nova fase representa para Florianópolis, para o turismo náutico e para a Economia do Mar.
Por: Redação Mundo Mar
Foto: Foto: Mundo Mar







