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O Brasil vai finalmente medir o tamanho da economia do mar, e isso muda o jogo do setor

IBGE e Ministério do Planejamento concluíram a metodologia oficial do PIB do Mar. Pela primeira vez o país terá um número para o peso econômico das atividades ligadas ao oceano, e quem depende do mar tem tudo a ganhar com isso.

O Brasil vai finalmente medir o tamanho da economia do mar, e isso muda o jogo do setor
Foto: Arte Mundo Mar

Durante décadas, o setor náutico e toda a economia do mar brasileira conviveram com um problema silencioso: ninguém sabia dizer, com um número oficial, quanto o mar pesa na riqueza do país. Sem esse dado, o setor sempre chegou em desvantagem na hora de disputar orçamento, crédito e prioridade nas políticas públicas. Isso está prestes a mudar.

Um grupo técnico coordenado pela Secretaria Nacional de Planejamento do Ministério do Planejamento e Orçamento, em parceria com a Coordenação de Contas Nacionais do IBGE, concluiu a Metodologia para a Mensuração da Economia do Mar no Brasil. O documento foi aprovado pela Comissão Interministerial para os Recursos do Mar em outubro de 2025 e estabelece, pela primeira vez, os conceitos e critérios que vão permitir calcular oficialmente a participação das atividades marítimas no Produto Interno Bruto.

O que entra na conta

A metodologia define quais atividades formam a economia do mar e como elas devem ser medidas. Entram na conta setores como a pesca, o transporte aquaviário, a exploração de recursos minerais, o turismo costeiro, a indústria de construção naval e a defesa, entre outras cadeias que dependem direta ou indiretamente do oceano.

Reunir tudo isso sob um mesmo método não é um detalhe técnico. É o que separa uma percepção difusa, de que o mar é importante, de uma evidência com números, que pode ser levada para dentro de um ministério, de uma câmara municipal ou de uma mesa de investimento.

Por que isso interessa a quem vive do mar

Aqui está o ponto que o setor precisa entender. Um segmento que não é medido é um segmento que não aparece. E o que não aparece perde espaço todo ano para pautas que sabem se explicar melhor com dados.

Santa Catarina, que responde por cerca de 70% da produção náutica nacional, é o retrato disso. A indústria, as marinas, os estaleiros, o turismo e a cadeia de serviços movimentam uma economia inteira em torno da água, mas raramente aparecem nas estatísticas com a dimensão que realmente têm. Quando o IBGE começar a aplicar a nova metodologia e divulgar os primeiros resultados, esse peso deixa de ser estimativa e vira número oficial.

O próximo passo

Com a metodologia aprovada, o passo seguinte é a aplicação pelo IBGE e a divulgação dos primeiros dados. Será a partir daí que o país poderá avaliar, com precisão, o quanto as atividades ligadas ao mar geram de riqueza e de emprego, no Brasil e em cada estado costeiro.

Não por acaso, o tema já está no centro dos debates do setor. O futuro do PIB do Mar é uma das discussões que devem marcar os grandes encontros da economia azul em 2026. Para quem produz, opera, legisla ou investe no setor, a mensagem é direta: o mar está prestes a ganhar um número, e é hora de estar pronto para usá-lo.

Por: Redação Mundo Mar

Foto: Arte Mundo Mar

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