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O Blue Nautical Hub Brasil 2026 encerrou sua programação deixando como principal legado a consolidação de uma plataforma estratégica de conexão para a Economia do Mar. Durante uma semana intensa, o evento reuniu empresários, especialistas, representantes do poder público, entidades nacionais e internacionais, estaleiros, marinas, fornecedores, profissionais do setor e lideranças políticas em uma agenda voltada ao conhecimento, aos negócios, à articulação institucional e ao fortalecimento da cadeia produtiva náutica brasileira.
Realizado entre os dias 26 de abril e 1º de maio, em Santa Catarina, o Blue Nautical Hub Brasil integrou visitas técnicas, o III Simpósio Internacional Economia Azul, encontro de negócios, reuniões institucionais, encontro da Cofradía Europea de la Vela, mesas de debate, palestras, networking qualificado e entregas concretas para o setor. Mais do que um evento, o Hub se posicionou como um ambiente de construção coletiva, conectando quem produz, quem investe, quem regula, quem pesquisa, quem empreende, quem representa e quem desenvolve a Economia do Mar no Brasil e no exterior.
Visitas técnicas conectaram empresários à realidade produtiva do setor
A programação começou com uma imersão técnica em alguns dos principais polos da indústria, da infraestrutura e dos serviços náuticos de Santa Catarina. O primeiro dia teve início em Itajaí, com visitas à Azimut Yachts, ao Estaleiro OKEAN, à operação ligada à produção das embarcações Ferretti Yachts no Brasil, à Fibrafort e à Marina Itajaí, encerrando em Itapema, no novo Píer O Porto.
No segundo dia, os empresários conheceram a Fazenda Marinha Freguesia, em Santo Antônio de Lisboa (Florianópolis), uma unidade da Schaefer Yachts com sua exclusiva máquina CNC de 5 eixos, a Marina Pier 33, o segundo parque fabril da Schaefer em Palhoça e o estaleiro Sessa Marine Brasil / Intech Boating. Em muitas paradas, os grupos tiveram acesso direto a CEOs, presidentes e diretores, criando um ambiente de relacionamento qualificado entre tomadores de decisão.
O encerramento das visitas técnicas aconteceu aos pés da icônica Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, que completa 100 anos em 2026, na terceira unidade da Schaefer Yachts. Na ocasião, o presidente da Schaefer Yachts, Márcio Schaefer, e seu sócio Pedro Odílio Phelippe receberam os participantes e compartilharam parte da trajetória que ajudou a impulsionar o desenvolvimento do setor náutico em Santa Catarina.
III Simpósio Internacional Economia Azul ampliou o debate
Um dos momentos centrais da semana foi o III Simpósio Internacional Economia Azul, que reuniu especialistas, empresários, lideranças institucionais e representantes do poder público. A programação trouxe temas como infraestrutura náutica, desenvolvimento de marinas, indústria naval de recreio, turismo náutico, sustentabilidade, governança, inovação, Reforma Tributária, Mercosul, internacionalização, formação profissional e planejamento territorial.
Dados da Economia do Mar abrem nova etapa para o setor
Entre os momentos mais relevantes esteve a apresentação dos dados da Economia do Mar em Santa Catarina, conduzida pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Estado do Planejamento (SEPLAN). Segundo o levantamento, esse conjunto de atividades reúne aproximadamente 240 mil trabalhadores formais, distribuídos em mais de 23 mil estabelecimentos, com massa salarial mensal de cerca de R$ 1,158 bilhão.
O estudo apontou ainda que, entre março de 2025 e fevereiro de 2026, a Economia do Mar foi responsável por aproximadamente 6 mil novos postos de trabalho formais (13% do saldo total do estado no período). Em 2024, o setor empregava 239.671 trabalhadores formais em Santa Catarina, sendo 45% na indústria.
Como desdobramento direto dessa agenda, foi firmado um acordo de cooperação entre o Governo de Santa Catarina e a ACATMAR — Associação Náutica Brasileira para o compartilhamento de informações e indicadores econômicos. O Sebrae/SC também teve papel estratégico como articulador do Hub, ao lado da ACATMAR, aproximando setor produtivo, pequenos negócios, fornecedores, marinas, estaleiros e especialistas.
Articulação política e Projeto Marina-Escola
O Blue Nautical Hub Brasil também promoveu momentos de articulação política, com destaque para o encontro com o presidente da Frente Parlamentar da Economia do Mar, senador Esperidião Amin. Um dos atos mais importantes foi a entrega do Programa de Extensão em Economia Azul — Projeto Âncora: Marina-Escola, realizada pelo Prof. Dr. Vinicius De Luca Filho, diretor-geral do Câmpus Florianópolis-Continente do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). A proposta simula a dinâmica real de uma marina, integrando ensino, extensão, pesquisa, inovação, cultura oceânica, turismo náutico, serviços e governança costeira.
Encontro de negócios B2B a bordo de uma embarcação
Outro grande destaque foi o Encontro de Negócios B2B, realizado de forma inédita a bordo de uma embarcação. A ACATMAR mobilizou empresas âncoras, estaleiros, marinas e lideranças com poder de decisão, enquanto o Sebrae/SC aplicou sua metodologia de encontros de negócios. O encontro reuniu cerca de 70 empresas, conectando fornecedores, estaleiros, marinas, prestadores de serviço e potenciais parceiros comerciais, com participação também de representantes dos Estados Unidos e da Europa.
Cofradía Europea de la Vela fortaleceu a dimensão internacional
A programação contou ainda com o encontro da Cofradía Europea de la Vela, entidade internacional ligada à cultura marítima, à vela e à tradição náutica. Sua presença ampliou a dimensão internacional do evento e reforçou a importância da cultura náutica como parte essencial da Economia do Mar, em um momento simbólico de aproximação entre Brasil e Europa.
Próxima edição já começa a ser construída
Com os resultados alcançados, o Blue Nautical Hub Brasil já projeta seus próximos passos. A edição de abril de 2027 deve ampliar ainda mais a proposta de conexão, incluindo novas oportunidades internacionais, rodadas de negócios, debates técnicos, visitas e articulação institucional. A construção iniciada em 2026 deixa uma mensagem clara: o Brasil tem potencial para ocupar um papel muito mais relevante na Economia do Mar, mas isso exige conexão, dados, visão estratégica, cooperação e protagonismo.
Di: Redação Mundo Mar
Foto: Mundo Mar







